sábado, 18 de fevereiro de 2017

Sob a sombra da lua cheia - parte 03

Obs.: Para ler outros trechos, clique no link da resenha: Resenha

Capítulo 01 - parte 03


--- Não nos resta outra saída. Temos que alcançar os cavalos --- disse Sam, procurando manter a calma. Assim, esforçando-se para superar o medo, recomeçaram a andar na direção dos cavalos. Contornando algumas árvores, chegaram ao local dos animais, os quais demonstravam estar mais tranquilos.
--- Vamos embora, Sam. Agora! --- gritou Joe, montando em um dos cavalos.

O outro relanceou um último olhar para os lados. Depois enfiou o punhal na bainha e montou em seu cavalo. Mas, quando já saíam em veloz galope, ouviu um grito atrás de si. Parou o cavalo imediatamente. Voltou-se e...
No chão, ficara Joe... e em cima dele rosnando, divisou algo que não conseguiu definir. O rapaz fez menção para  ajudar  o  amigo. Mas, em  frações  de segundos, percebeu que já era tarde demais...

Seu amigo já estava dilacerado em meio a muito sangue. O estranho ser se virou. Seus olhos refletiam a luz da lua. Preparava um salto para alcançar sua próxima vítima, mas não teve sorte. Tudo fora muito rápido, entretanto, segundos que duraram uma eternidade. Deu um vigoroso puxão nas rédeas do cavalo para o lado e escapou por um triz. Ao vê-lo fugir, o ser se embrenhou pelo mato. Movia-se através de atalhos. O rapaz, ao mesmo tempo, fustigava o cavalo por uma trilha para fugir. Tinha a intenção de alcançar uma ponte que se situava a cerca de quatrocentos metros de onde ele e seus pobres amigos pescavam. Atravessando-a, conseguiria, talvez,  safar-se.

Todavia, quando já concluía a descida de uma ladeira, a qual dava acesso ao riacho, de um ponto alto do terreno, um vulto se projetou impedindo a passagem do cavalo. Assustado, o animal ergueu as patas dianteiras relinchando. João desequilibrou-se e caiu. Naquele instante, sentiu-se perdido. Pois o seu cavalo, “veículo” da salvação... já fugia galopando ao longe pela margem do riacho. Quando se ergueu, sentiu o sangue gelar nas veias. A três passos a sua frente, ele viu uma vez mais o ser.

Contemplava-o com seus olhos felinos, os quais brilhavam misteriosamente sob a claridade tênue da lua cheia. Parecia zombar de sua presa.  Assim, estáticos, eles se fitavam. Trêmulo e muito pálido, Sam pressentia que a morte era iminente. Seria impossível escapar. Então, aflito, levou a mão à cintura para puxar da faca. Foi seu último gesto.


No alto, uma bela lua cheia continuava a brilhar. Mas embaixo,  o sangue de Sam tingiu a água do riacho dos lobos, a qual se renovava constantemente devido à forte correnteza.
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