terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A ponta do novelo & outras histórias - resenha



Vivemos em tempos difíceis. E, pouco a pouco, os seres humanos vão perdendo a capacidade de observação e de interiorizar o que se vê.  O tempo parece mais curto. E estamos sempre atarefados e atormentados por ‘mil’ preocupações. Há tanta coisa bela pra se ver: o sol que se põe, ou a chuva que cai. Os animais, as flores, as paisagens. Enfim, tudo a nossa volta nos ensina algo. A simbologia é uma forma de comunicação muito poderosa. Ela penetra fundo na alma e desperta em nós a reflexão. Isso eu aprendi lendo o livro: ‘A ponta do novelo & outras histórias’.
Confesso que a simbologia e as metáforas do autor Hilário Francisconi me cativaram. O prefácio do livro foi escrito pela doutora e professora Márcia Maria de Jesus Pessanha. Ela é presidente da Academia de Letras de Niterói, Rio de Janeiro. Isso significa que ela possui conhecimento e autoridade para falar sobre literatura. Conforme ela disse: a obra não tem um gênero definido, pois há de tudo um pouco: contos, crônicas, reflexões e prosa poética. Na verdade, uma ‘salada‘de textos de muito bom gosto.

Não foi fácil analisar a obra. Devido a certo grau de complexidade em alguns trechos que li, a minha interpretação pode ser diferente da interpretação de outros leitores. Entretanto, no subjetivismo do autor há sempre uma mensagem útil. Surrealismo, personificação e o fantástico se fundem nos textos dando um quê enigmático nas histórias, algo que me agradou bastante. Exemplos: o turista Kaled que acha uma ampulheta no vagão de uma locomotiva e viaja em seus devaneios, o diálogo divertido entre a sombra e a chama, no qual disputam quem é mais importante, e o homem que não via a própria imagem em um labirinto de espelhos, mas em cada espelho estava refletida a imagem de um homem diferente. Porém, era um só homem. Talvez ele tenha conseguido ver as suas múltiplas personalidades nos espelhos. Foi isso que entendi.

São 32 histórias. Certamente, quem leu o livro escolheu as suas preferidas. Eu também tenho as minhas e vou citar algumas dentre as 25 que mais gostei: A ampulheta, a ponta do novelo, o cupim, o labirinto de espelhos, a concha, as duas ilhas, a bolha de sabão, a corda bamba, a sombra e a chama, sombras amantes e a bolha de sabão. Em todas as histórias, há um ritmo eletrizante. Assim o autor tece as palavras, frases, períodos e parágrafos com habilidade, graça e elegância. A palavra ‘novelo’, presente no título da obra de Hilário Francisconi, significa bola de fio enrolado. Desse emaranhado de fios, podem surgir belos trabalhos artesanais. Todo escritor possui em sua mente uma espécie de novelo. Agora, fazer algo diferenciado não é tarefa fácil.
Parabenizo o autor pela  obra. Recomendo.
Avaliação: ótimo
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